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sábado, 8 de agosto de 2015

Entrevista: Classe Distinta Edvaldo Soliano em Comemoração ao Dia dos Pais

Foto Extraída do Texto "Cultivando Seres Humanos"
1 - Fale um pouco sobre o senhor.
O meu nome é Edvaldo Solianno. Tenho quase 29 anos de serviços prestados à Guarda Civil Metropolitana e, provavelmente, estarei me aposentando à partir de 2016. Sou casado também a 29 anos e tenho dois filhos.

2 - Qual foi o momento mais importante que o senhor viveu na Guarda Civil?

Exatamente quando eu cheguei ao Centro de Formação em 2006. Naquela época, cheguei aqui revoltado, pois foi contra a minha vontade. Eu fazia bico e necessitava muito daquilo. Eu também estava muito acostumado com o serviço de rua. Além disso, não tendo nível superior, eu não me via sendo útil no CFSU. Certo dia eu estava muito chateado, caminhando pelo pátio, quando cerca de 30 alunos se aproximaram de mim e me agradeceram pelos ensinamentos e conselhos. O senhor é um mestre, um verdadeiro professor... (Pausa por conta da emoção do entrevistado) ... e eu me emocionei e comecei a chorar. Senti aquela voz vindo lá do alto, me dizendo 'olha o que você está fazendo aí'. Eu sinceramente não sabia que poderia ajudar tanta gente.

3 - Por que as pessoas lhe chamam de paizão?

Porque eu sempre procuro dar o máximo de atenção a cada um deles. E, como surgiu essa estória de paizão, que me deixa muito feliz, eu digo a eles que lembrem-se de mim quando forem graduados e inspetores. Nesse momento, quando um subordinado precisar de atenção, não simplesmente cobrem o serviço em si. Chamem aquela pessoa, conversem. Perguntem se está tudo bem. Eu quero que lembrem de mim em horas como essa.

Foto: Dennis Guerra do Blog o Cão de Guarda Notícias
4 - E como o senhor se sente com essa forma de tratamento?

Eu me sinto como se todos fossem meus filhos, irmãos mais novos. Mesmo com os meus superiores hierárquicos, os quais, por diversas vezes, tenho a oportunidade de cumprimentar com um abraço e um beijo fraternal. Um beijo de família!

5 - Quem lhe conhece, também sabe que o senhor, ao responder uma continência, logo abraça a pessoa e dá um beijo. Além disso, o senhor posiciona a pessoa de frente ao sol e diz: "Olha o sol. Olha o flash, vamos tirar mais uma foto juntos em frente à essa maravilha"! Como surgiu essa ideia?

Foi exatamente nesse pátio, em um momento em que eu estava triste. Eu não queria deixar transparecer aquela tristeza. Aí um colega guarda que estava ali como aluno de um determinado curso se aproximou para me cumprimentar. Eu percebi ao meu lado esquerdo o sol, que estava lindo àquela manhã. Aí foi automático: eu olhei para a pessoa que me cumprimentava, dei um abraço e disse que o sol era um flash, e aquela foto era nossa. Para mim foi uma libertação da tristeza, e aquele guarda vinha todo dia para tirarmos mais uma foto.

6 - A poucos dia o CFSU e toda a Guarda Civil perdeu o CD D. Lima: um profissional emblemático e pessoa extremamente querida. O que o senhor diria a respeito?

Eu, particularmente, digo que vou sentir demais a sua falta. Não há como descrever essa perda... Pausa.

Foto: Dennis Guerra do Blog o Cão de Guarda Notícias
7 - Fale sobre um momento marcante na sua relação com ele.

Ah, ele dizia que sempre, durante as formaturas diárias, entoávamos o Hino Nacional e a Canção da Guarda Civil, mas nunca a Canção do CFSU, que era de sua autoria. Certa vez, preparamos uma surpresa, juntamente com os alunos. Chamamos o CD D. Lima e iniciamos a entoação da canção. Ele se sentiu extremamente gratificado naquele dia. Eu tenho essa lembrança muito forte comigo.

8 - Para finalizar, o que o senhor diria para todos que estão acompanhando a sua entrevista especial de Dia dos Pais no O Cão de Guarda Notícias?


Chegue em casa e abrace o seu pai. Não deixe de conversar com ele. Não diga 'depois a gente conversa', pois esse depois pode não chegar. Certa vez comentei isso em sala. Logo depois, um aluno se aproximou e disse que eu havia contado parte de sua vida. Ele lembrou que o seu pai o chamou para uma conversa e ele deixou aquele momento passar. Logo depois o seu pai morreu e ele viu que havia perdido a chance. Então eu digo: não deixe o bico ou qualquer outra coisa se intrometer nessa relação. Chegue em casa, dê um beijo em seus pais. Sente no colo deles e converse. Não perca essas chances. E Feliz Dia dos Pais a todos!

Entrevista concedida ao Blog O Cão de Guarda Notícias



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